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Luz da minha infância
- pelas estradas dos pampas
novo entardecer
Um olho no trânsito
outro no clarão do céu
- é a superlua
Quatro da manhã
- o clarão da lua cheia
nas frestas da janela
Na minha janela
as cores do entardecer
- silêncio das aves
Sexta-feira Santa
- em seguida à procissão
a bacalhoada
Muitas cores, gritos
e um cheiro de acarajé
- feira de domingo
Domingo de ramos
- até galho de mangueira
na benção do padre
Passa a ventania
- as sementes de angelim
cobrem a calçada
Ah, quanta neblina!
- a cidade acaba ali
perto das paineiras
Outdoor caído
e as aves na poça d'água
- passa o temporal
Na lata de lixo
um resto de fantasia
- é Quarta de Cinzas
Meninos estouram
os botões das espatódeas
- manchas no uniforme
Perfume de flores
e o som do ventilador
- noite de verão
Passa o temporal
- as aves e os meninos
voltam a brincar
Cascas de cigarras
- após cento e sete dias
a primeira chuva
Seca no cerrado
- meu cachorro sem gramado
para passear
Uma procissão
na memória da menina
- domingo de ramos
Café da manhã
- um bando de maritacas
a caminho da árvore
Palmeira imperial
- muitas franjas e alguns troncos
na minha janela
Dezenas de ipês
pelas ruas de Brasília
- a seca continua
Debaixo do ipê
camisas verde-amarelo
- comércio da copa