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Canto das cigarras
Incessante sibilar
no meio das árvores
Uma sucupira
solta flores na calçada
- tapete lilás
Bando de pardais
segue um cortador de gramas
Farta refeição
Pontinhos amarelos
sobrevoam o gramado
- leves borboletas
Bolhas de sabão
Subiram cores e sonhos
de efêmera infância
Flamboyants nas ruas
Uma pitada de cor
no cinza dos dias
Canto das cigarras
Sinfonia no arvoredo
anuncia a chuva
Cantam as cigarras
na primavera chuvosa
- concerto de graça
Dia da criança
os pais vão para os parquinhos
em busca da infância
sempre os ipês -
um roxo depois o branco,
o rosa e o amarelo
No meio da noite
uma cigarra cantou
- daqui a pouco morre
Cupins e cigarras
saem do fundo da terra
começam as chuvas
Setembro chegou
pelas ruas o arvoredo
põe flores no verde
folhas pela selva -
são pedaços de haicais
que Aníbal semeou
Flores do ipê brancoesparramadas no chão
- vão-se os buquês
no meio do trânsito
pausa pra foto do ipê
as flores caindo
Sol do meio-dia -pássaros no chafariz,crianças na sombra
um bambu de plásticodentro da tamakeriana mesa, um sushi
Meio da manhã -
de um lado o sol, de outro a lua
em quarto minguante
Contra o céu azul
um ipê amarelo em flor
eu, sigo no trânsito